Subordinados de ocasião

Subordinados de ocasião

EDITORIAL

Secretários de Prefeitura são escolhidos, na maioria das vezes, por alguma afinidade com suas pastas, porque as necessidades partidárias de um prefeito estão longe de depender exclusivamente dessas indicações. Porém, em nível estadual, a convivência com a Assembleia Legislativa requer um cuidado maior. Isso porque cada secretaria de governo não é apenas indutora de uma política própria, mas possui sob o seu guarda-chuva cargos espalhados na própria secretaria e nas eventuais agências a ela subordinadas. O presidente Lula aumentou suas apostas de governança em seu terceiro mandato, criando nada menos que 38 ministérios – há quem diga que ele não conseguiria dizer o nome de metade desses ministros. Talvez um terço deste time Lula tenha tirado de sua própria cartola, mas os demais personagens não chegaram à esplanada dos Ministérios por uma espécie de efeito borboleta. Eles foram escolhidos por seus líderes partidários para que assim representassem suas legendas, e não se pode dizer que sejam especialistas em suas áreas. Entretanto, como foram içados pela política, era de se esperar que ao menos tivessem alguma afinidade com as imposições dos cargos, quais sejam, verbalizar suas ações em prestígio do presidente. É possível – e bem provável – que todos estejam fazendo isso, mas Lula quer mais, ao menos terceirizar a culpa de sua queda de popularidade. Não se pode dizer que cobrar subordinados seja ruim, ao contrário, mas incluir novamente o ex-presidente Jair Bolsonaro no auge de sua fala sugere a manutenção do ambiente de embate, o qual Lula dá sinais de querer sua permanência até o próximo período eleitoral. Não será dessa forma que ele ganhará a simpatia de um enorme grupo que não tolera do PT, busca uma alternativa de centro e está esgotado da truculência bolsonarista.

Compartilhar esta postagem