Senso&Consenso

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Um tiro que saiu pela
culatra e matou o discurso
de Eduardo Bolsonaro

Antonio Claudio Bontorim
JORNALISTA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

A expressão tiro pela culatra é muito conhecida. Refere-se, sempre, a um projeto que não deu certo, a uma ação sem resultados ou a uma expectativa do que vai acontecer e acaba não acontecendo, frustrando assim seu idealizador. Ou, simplesmente a um defeito em arma de fogo, que o tiro volta para o atirador, por isso se dizer que “saiu pela culatra”, que é a parte de trás de toda peça de artilharia ou fecho do cano de uma arma de fogo.
Pois é, o armamentista e policial federal licenciado, Eduardo Bolsonaro, mais precisamente um escrivão da Polícia Federal, que estava deputado federal pelo PL paulista e, agora também está licenciado, provou o que é um tiro pela culatra. E da pior forma. Não. Não saiu de sua própria arma e nem causou ferimentos físicos nele próprio, apenas viu sua proposta de autoexílio detonada pela PGR (Procuradoria Geral da República) e pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Explico. O conhecido filho Zero-Três do ex-presidente Jair Bolsonaro teve uma ação de deputados do PT – que pediam a retenção de seu passaporte – arquivada. Ou seja, o pedido de negativa do procurador geral da República Paulo Gonet, cuja decisão foi assinada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Era tudo que Eduardo Bolsonaro não queria, para que pudesse discursar como vítima de uma suposta “ditadura brasileira”, e ganhasse força entre seus seguidores. O agora deputado licenciado está nos EUA desde o último dia 29 de fevereiro e já havia passado mais tempo lá, do que na Câmara Federal, que era o seu lugar. Está procurando resolver sua estadia legal por lá, alugar uma casa ou apartamento e por lá ficar pelos próximos 120 dias. Que é o período máximo de uma licença parlamentar, mas sem salários.
Nos Estados Unidos, ele espera ganhar apoio do governo norte-americano, chefiado agora por Donald Trump, a quem a família Bolsonaro trata como “amigo íntimo”, e o próprio Jair, quando presidente, fez um declaração ao, à época também presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que viralizou. “I love you, Trump”, disse, em seu primeiro encontro oficial entre dois chefes de governo.
Gonet e Xandão arrancaram o discurso de perseguido político da garganta de Eduardo Bolsonaro, deixando-o sem palavras, literalmente.
Agora será difícil que ele emplaque essa condição e convença as autoridades americanas a apoiá-lo numa cruzada de difamação ao próprio país, no caso o Brasil, o que nunca se viu, antes, por parte de um político brasileiro.
O Zero-Três terá que gastar muita saliva se quiser convencer seus parceiros norte-americanos, embora muitos tenham sua falta de capacidade de compreensão. E terá que fritar muito hambúrguer para sobreviver por lá, já que sua licença não é remunerada pela Câmara Federal brasileira.
Há quem garanta, também, com terço, vela, crucifixo e muito alho nas mãos, que Eduardo estaria preparando terreno para uma possível “fuga-exílio” de seu pai, caso venha a ser condenado e corra risco de prisão.
Mas isso vamos ver a partir do próximo dia 25, quando Jair Bolsonaro e mais sete conspiradores contra a democracia, começarão a ser julgados pela Primeira Turma do STF.
Haverá muito choro e ranger de dentes!

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