Senso&Consenso
Trump, Putin, Netanyahu, Xi… Hitler se remexe em sua cova
Antonio Claudio Bontorim
JORNALISTA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br
Ao longo dos milênios, séculos, décadas e anos, o ser humano, enquanto existência perfeita da inteligência e, principalmente, da consciência, conquistou espaços, avançou nas suas relações interpessoais, mesmo intercalando períodos de opressão e, muitas vezes, sobrevivendo a guerras, invasões e escravizações.
Muitos povos foram submetidos às duras realidades de seus conquistadores, que não contentes com as riquezas que subtraiam das nações dominadas, ainda impunham às suas populações a assimilar costumes que nada representavam suas culturas e muito menos seus hábitos.
Novas nações surgiam à custa de diásporas de muitos povos pelo mundo, entre aqueles que não queriam se submeter e outros, que se dispersavam de forma organizada ou com medo se também serem colonizados. Até o século passado e entrando por este Século XXI, do Terceiro Milênio da Era Cristã, ainda nos deparamos com colônias que tentam recuperar sua autonomia, política, econômica e social.
O Apartheid, na África do Sul, em meados do Século XX, que durou de 1948, quando o Partido Nacional, de Extrema Direita, ganhou as eleições, até 1994, foi o ponto de partida para uma nova configuração de mundo, que se esperava mudasse as relações internacionais, não foi suficiente para servir de exemplo. Nesse período, outra grande ocorrência libertária foi a queda do Muro de Berlin, unificando a Alemanha, que a dividia entre Ocidental e Oriental.
Outro movimento para por fim à Guerra Fria, que dividia o Planeta entre as duas grandes nações dominantes, os EUA e a URSS, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ou simplesmente União Soviética. Ambas com seus países satélites, divididos entre o Capitalismo e o Socialismo. Dois rótulos para uma mesma garrafa, que se quebrou com a dissolução da União Soviética em 1991. O último gole da vitória caberia aos EUA e ao Ocidente. Pelo menos é o que diziam – e dizem – os especialistas.
Mais uma vez tudo levava a acreditar numa interação maior entre os blocos nacionais, entre o Ocidente e Oriente. Surgiu então o termo globalização, agora transformado em multilateralismo. E cá entre nós, o mais inteligente sistema de convívio entre os povos.
Ledo engano, pois os signatários dessa agenda, que deveria ser desenvolvimentista, estão novamente em movimentos opostos, que nos levará de volta aos anos dos discursos ideológicos entre os dois grandes blocos. O mais difícil é aceitar que em tempos de alta tecnologia e de conhecimento além da nossa imaginação, com o avanço da IA (Inteligência Artificial), ainda haja governantes que teimam em submeter nações e povos em meio a invasões, aos seus domínios, mesmo não os tendo legalmente.
Em meio a dois grandes bufões, Donald Trump e Vladimir Putin, e uma plateia composta por identidades semelhantes, mas também opostas ideologicamente (há controvérsias), como Benjamin Netanyahu e Xi Jinping, o movimento de colonização está de volta. Netanyahu quer dissolver Gaza e o povo palestino e Xi luta por escravizar Taiwan. E novas guerras frias, ou extremamente quentes, estão no horizonte dos observadores, que não conseguem conter esses atores degenerados.
Em meio a toda essa celeuma, entre ameaças e ações genocidas e de total desrespeito ao próprio ser humano e, principalmente, à vida humana, a ONU (Organização das Nações Unidas), que tinha na sua Carta das Nações Unidas, a proteção das nações e seus povos, hoje foi reduzida a escritórios e gabinetes que não conseguem cumprir seus objetivos.
A humanidade está em risco. O Planeta está em risco. E não há risco maior, hoje, do que a supressão das garantias individuais e o direito livre arbítrio. O direito de cada um em escolher quem é, o que é, como pensa, e expor suas opiniões, sem retaliações. Como acontece diariamente, a cada segundo, pelas mídias sociais. A autodeterminação dos povos, também contida na Carta da ONU, há muito já foi esquecida.
Um leitor menos atento ou sem conseguir contextualizar o que escrevi, poderia me perguntar: “mas o que tem tudo isso que você escreveu desde o início com os direitos e garantias individuais de todos nós?”. A resposta é simples, ao retomarmos pautas que já não se sustentam mais nos dias de hoje, pois fracassaram quando foram aplicadas lá atrás, e voltam a ganhar notabilidade nos discursos políticos, fracassaremos novamente como seres humanos e, com esse fracasso, tudo o que foi conquistado vai ladeira abaixo.
A humanidade está à beira de um colapso, patrocinado por velhos discursos em tempos atuais. Hitler deve estar revirando no seu túmulo, esteja onde estiver!