Comunicação institucional no divã

Comunicação institucional no divã

EDITORIAL

Quando colocou em prática seu interesse em prejudicar – em alguns casos aniquilar – veículos de comunicação em Limeira, exatamente há um ano, o Imperador Botion deixou que apenas um continuasse a prestar serviços de utilidade pública com remuneração. O primeiro motivo era evidente, posto que o prefeito tinha lugar de fala, a qualquer momento, na emissora escolhida. Lá ele defendia suas ações, atacava adversários e de lá, também, ele retirou um nome para que se juntasse a sua candidata a prefeita, Érika Tank. No caso, um diretor da emissora. E as coisas funcionam assim, mesmo. Os governantes sempre elegeram seus meios de comunicação prediletos para despejarem poupudos investimentos como faz, há dois anos, o presidente Lula. Matéria recente publicada pela Folha de S. Paulo revelou que as organizações Globo lideram, com folga, a destinação das verbas publicitárias do governo federal, mas voltemos a Limeira. Desde que tomou posse, Murilo Félix trata a imprensa com surpreendente desdém, seguindo seu estilo de “digital influencer” como método de divulgação e promoção pessoal. O problema é que, em paralelo, existe uma secretaria de comunicação que, até agora, segue tão inútil como usar galochas em dias de sol. E pior. Por falta de orientação e feitos mais robustos de governo, dedica-se a informar ações de pouco interesse público como agendamento de cursos e distribuição de mudas. Na esperança, por óbvio, que sejam repercutidas gratuitamente por veículos que, ao contrário do que se imagina, possuem seus custos de manutenção. Esse é somente mais um ponto em comum com a administração do pai, sempre muito tímido para compreender a necessidade da comunicação institucional. Está certo que, quando não há muito o que dizer, é melhor ficar calado, mas o que vemos até agora é uma espécie de continuidade de estilo, até pior, talvez. E, reiterando, às vésperas dos cem dias, o que se espera até agora é o mais do mesmo: o reforço do anúncio da quebradeira generalizada e de quantas mudas foram distribuídas para a população. Ou seja, mais do mesmo enquanto a comunicação institucional está no divã. E tem gente que ainda briga em campanhas eleitorais. Quem ganha a leitoa na rifa não a reparte; só a leva para casa.

Roberto Lucato

Ilustração: Freepik

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