Agronegócio: Clodoaldo Cruz avalia o setor
Uma das principais lideranças do agronegócio paulista, Clodoaldo Cruz acaba de completar seu primeiro mês em sua nova atividade: a política. Terceiro candidato a vereador mais votado do município de Conchal, distante pouco mais de 30 quilômetros de Limeira e com uma população estimada em 30 mil habitantes, ele figura entre os 11 atuais parlamentares e foi entrevistado para comentar sua nova função pública. E, para fazer prognósticos sobre o futuro da chamada “segurança alimentar”.
Casado com Geni Luiza Simoso Cruz, Clodoaldo é pai de Luiz Francisco, com quem divide a administração de seus negócios no campo, e de Lucinea Cruz, advogada. Sobre seu interesse pela política, isso se deu há mais de 20 anos, quando liderou uma comitiva formada por plantadores de algodão. “Fomos recebidos pelo ministro Platini de Moraes, em Brasília, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, e apresentamos nossas demandas. Ele não apenas nos atendeu prontamente, como compreendeu a importância do preço mínimo da arroba do algodão em pluma; o resultado foi o aumento da área de plantio. Em 2002, isso representava pouco mais de 10 mil hectares; já em 2005, essa área atingiu mais de 245 mil hectares, principalmente com a exploração da atividade na Bahia”, relembra. “O problema é que, com a primeira eleição do presidente Lula, não houve reajuste do preço mínimo, e isso prejudicou demais o setor; essa espécie de congelamento só beneficiou proprietários de tecelagens, como foi o caso de José de Alencar, vice-presidente da república, fundador da Coteminas, que fazia fiação e tecidos, e passava por dificuldades na época”.
Carreatas
Há pouco mais de dois anos, relembra o empresário, ele participou de carreatas à favor da reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Participei da recepção de vários apoiadores, candidatos ao Congresso, como a deputada Carla Zambelli esteve em Conchal ao lado de seu irmão, o deputado estadual Bruno Zambelli; até mesmo o hoje senador Marcos Pontes esteve presente”, comenta. Houve até um fato curioso, destaca: “Fui chamado a fazer um pronunciamento e, quando terminei, o astronauta pediu para que eu continuasse, porque estava “indo bem”; e assim atendi ao seu pedido. Marcos Pontes obteve mais de 10 mil votos na cidade, e Bolsonaro teve a votação de mais de 85% dos eleitores”. Clodoaldo acrescenta: “o fato é que, desde a primeira vez que estive em Brasília, há 20 anos, passei a me preocupar mais com a política, porque as decisões interferem demais na vida das pessoas; e, nas últimas eleições, não tive como escapar dos convites e agora estou aqui, na Câmara, começando minha jornada”.
Alimentação e mudanças climáticas
Nos últimos meses, o encarecimento dos alimentos se tornou uma das principais preocupações do governo federal. Uma série de fatores contribui para isso, incluindo as mudanças climáticas. “Tudo ia relativamente bem até 2014, quando não somente eu, mas outros produtores rurais da minha região perderam suas safras; passei então e me preocupar ainda mais com isso, porque o período de chuvas e secas estão se tornando mais acentuados; em boa medida, isso faz com que muitos empresários se afastem da produção agrícola, o que agrava a situação”, argumenta. Clodoaldo prevê dias mais nebulosos: “há um grande desestímulo para o plantio; de dois anos para cá, por exemplo, há encalhe da venda de colheitadeiras e aqueles que tiveram problemas com suas lavouras têm dificuldades em renegociar suas dívidas. Fico imaginando: e se todos pararem de plantar como forma de protesto, o que iria acontecer com o Brasil?”. Sobre o futuro, sua avaliação é sombria: “como o governo quer os produtos baratos com o preço do óleo diesel como está, com o dólar nas alturas e com o valor dos fertilizantes em alta? É tudo proporcional: como você vai vender um produto que custou 10 para produzir a 5? É simples, e isso quem fala é alguém que começou na roça aos 5 anos em plantações de algodão para ganhar um caminhãozinho de madeira. Eu vejo que estamos diante de um abismo”. O governo tem que ter sensibilidade, avalia: “está tudo difícil no campo, inclusive há falta de mão-de-obra”. Sobre o setor de proteínas, ele também avalia: “hoje nós vemos que o setor está na mão de poucas pessoas, inclusive aquelas que manipulam os preços; o governo não consegue estabelecer ações que equilibrem a atividade”.
Ao encerrar a entrevista, Clodoaldo diz que se prepara, a partir das próximas semanas, para receber a população em seu gabinete: “eu ando bastante, converso com muita gente, mas dedicarei parte do meu tempo para ouvir os cidadãos na própria Câmara, que é a casa do povo, acrescentando que preparo ações voltadas para a escolas, outra preocupação que eu tenho”, concluiu.
Clodoaldo Cruz fala o futuro do agronegócio
Plenário da Câmara Municipal de Conchal
Clodoaldo Cruz recebeu o jornalista Roberto Lucato em seu gabinete
Clodoaldo Cruz, Carla Zambelli, a neta Camila Cruz, Luiz Cruz e Bruno Zambelli durante carreata em Conchal
Clodoaldo observa manifestantes do agro em Conchal, em 2022
Texto: Roberto Lucato