A “pegadinha” dos combustíveis

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A “pegadinha” dos combustíveis

EDITORIAL

Quem faz uso de informações como ferramenta de trabalho vai percebendo eventos cíclicos ao longo do tempo. A população também, é claro, principalmente se o assunto girar em torno dos chamados “produtos essenciais”, como é o caso do preço dos combustíveis. Porque mesmo que um cidadão ande a pé ou de bicicleta e não dependa de transporte urbano ou particular, à combustão, não há como escapar da incidência do óleo diesel interferindo no valor do feijão com arroz. Quem viveu a época dos reajustes programados, quando se formavam filas imensas nos postos principalmente às sextas-feiras (muitos não abriam aos sábados e domingos), não deve se lembrar de uma mísera queda. E assim, durante as últimas cinco décadas, seguimos com uma regra infernal: quando há algum anúncio de aumento, no mesmo dia os postos elevam seus preços; ao contrário, não. Vamos observar. A Petrobras anunciou a redução de R$ 0,17 por litro no preço do óleo diesel, uma diminuição de 4,6% que passará a valer a partir de terça-feira (1º). O anúncio, informa a Agência Brasil, foi feito pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante lançamento de um programa para aquisição de crédito de carbono, na sede da companhia, no Rio de Janeiro. O novo valor do combustível vendido às refinarias será, em média, de R$ 3,55 por litro. Pois bem. Em média, o óleo diesel tem sido comercializado por R$ 6,20, em alguns postos por R$ 6,05 no pagamento por débito ou PIX. Espera-se que a partir de hoje esses valores sejam atualizados para baixo, mas serão? Naturalmente, não. E se eventualmente caiam para patamares próximos a R$ 5,90 ou um pouco menos, isso levará uma eternidade. Pois é assim que funciona a “liberdade de preços” praticada pelo Brasil no quesito combustíveis, oferecendo a possibilidade de bons lucros aos intermediários nessa cadeia de distribuição. A presidente da Petrobrás segue as orientações de quem a indicou, o presidente Lula, tentando contribuir na diminuição do preço dos alimentos através do diesel, mas uma andorinha não faz verão. Porque as distribuidoras deitam e rolam nessa liberdade e dentro de uma absoluta ausência de fiscalização. Valerá a pena, nos próximos dias, mesmo para quem não abasteça com diesel, verificar se em algum letreiro aparecerá um valor menor que R$ 6,00. Particularmente, acredito mais em uma aparição conjunta do saci-pererê, do coelhinho da Páscoa e do curupira no entorno das bombas.

Roberto Lucato

Ilustração: Freepik

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